#Gari

Varredor de rua, contratado para realizar a limpeza pública das cidades, numa visão geral e de significado simplista. Numa visão artística e sob o olhar panóptico da artista visual francesa Gasediel, esses profissionais tão importantes e necessários no cotidiano de todos, se tornam o motivo, o apontamento e o assunto tratado nessa série apresentada na exposição: #Gari.

Se em 1976, a palavra Gari estava relacionada ao sobrenome da primeira pessoa responsável pela limpeza pública do Rio de Janeiro (o francês Aleixo Gari), quatro décadas depois uma compatriota dele, atualiza, contextualiza e resignifica esse antropônimo numa relevante e pertinente homenagem. Em forma de poesia visual, Gasediel sugere que voltemos nosso olhar para essas pessoas, que no cotidiano das cidades, quase sempre são invisíveis, subjugados e com sua presença que quase sempre acontece por sua ausência.

Questões como: existência, pertencimento, valores sociopolíticos, a importância do indivíduo para o coletivo, a cidadania e o respeito, podem ser observados nas composições da artista, que numa plasticidade poética e processual, aponta para o cinza da cidade como pano de fundo e contraponto para colorido de um povo, que aqui, de forma simbólica e magistral é representado na figura do gari.

- FRANCISCO ROSA


A Profundidade Começa na Superfície

A arte contemporânea inaugura novos valores poéticos e práticas estéticas, o que coloca em discussão qual o papel e o lugar da arte nos dias atuais.

No caso da pichação, se tratada como site specífic, ela estabelece uma relação dialética e dialógica com a arquitetura ou com o espaço. Se por vezes ela problematiza o lugar, por outras ela sinaliza, aponta ou sugere ao observador um olhar mais apurado para o local onde ela se estabelece. As reflexões acerca da relação arte/cidade subiram à tona. Ainda, que num contexto onde reina a efemeridade e a dissolução dos limites entre as linguagens.

Na dimensão sócio-cultural, o pixo de São Paulo, talvez seja a mais genuína das correntes que tratam dessa nova estética. Seus traços precisos e indiciais, resignificam a arquitetura urbana. A pichação é como tatuagem sobre a pele da cidade. Mas, ainda que se estabeleça na camada mais superficial, o seu discurso sugere questões mais densas e muito mais profundas. No entanto, na maioria das vezes, a discussão nunca vai para além da camada de tinta depositada na superfície.

- FRANCISCO ROSA


COM [UNIDADE] – Biocenose artística

Vivemos numa sociedade onde o ter se sobrepõe ao ser. Mas, a redução materialista da alma não pode impedir que a cognição exista. A erudição e o capital cultural que deveriam servir para diminuir as distancias e não para potencializa-las, criam verdadeiros abismos sócio-culturais. Sugiro um pensamento artístico que trafega na contra mão dessa ideologia onde a relação artista, expectador, obra e cidade seja mais direta, estreita e livre. Não apresento essa ideia como uma descoberta súbita de algo novo. Proponho apenas a valorização do indivíduo, da sua bagagem cultural de origem e do que pode ter cada um de singular e múltiplo. Debruçar no detalhe, sem fragmentar, é dar valor ao todo pela parte. Um pensamento pertinente se olharmos para a diversidade cultural como algo que nos acrescenta e não que nos separa. É necessário para isso, reconhecer que o ser humano é múltiplo e uno, e que todo indivíduo detém algum tipo de conhecimento. São essas nuances e variações que preenchem a complexidade humana. E, para melhor compreensão de nós mesmos há que se exercitar a empatia. A visão unilateral das coisas leva à incompreensão, e a incompreensão, é o grande câncer do relacionamento humano na nossa contemporaneidade..

- FRANCISCO ROSA


Grafia da Foto

É com muito apuro e uma sofisticação contemporânea, que o artista Paulo Lacerda compõe seus poemas visuais. Com poucos elementos compositivos na base de sua expressão, suas imagens sugerem muitos outros elementos subjetivos e interpretativos.

As formas geométricas simples e elementares, os enquadramentos e perspectivas, o grafismo, o ritmo, as linhas e as diagonalidades acontecem de forma uníssona com as formas orgânicas e complexas de figuras humanas em situações que sugerem a efemeridade temporária do cotidiano urbano.

É possível se ver nas entrelinhas de sua escrita feita com luz, o protagonismo da sombra. Na planície, característica dessa linguagem, é que a tridimensionalidade se apresenta para o olhar. No vazio é que se encontra a espacialidade e na ausência perceptiva é que habita a presença subjetiva.

- FRANCISCO ROSA


In [nós]

A multilinguagem, intrínseca na poética de Vini Parisi, sugere na mostra In[nós], uma reflexão particular acerca do feminino que existe em cada um de nós, em toda sua extensão simbologia e interpretativa possível na primeira pessoa de cada um que fruir com suas imagens. Na força, na forma, no gesto, no rastro, na figura, no suporte, na linguagem, no estilo.

A sutileza e o detalhe nesse trabalho, compõe a sua proposta de imersão, aponta para além de questões plásticas e formais e sugere um olhar um pouco mais apurado sobre o processo criativo, documental, matérico e introspectivo e/ou intimista do artista, em diálogo direto com o coletivo, com o uno que existe nós, pelo viés artístico, pictórico, audiovisual e intertextual.

De intervenções digitais à ponta seca, as mulheres de Vini Parisi, acontecem de sua pluralidade e criatividade imagética, capaz de a partir de uma imagem real, criar uma outra, pensada, concebida e desenvolvida de forma particular e idealizada, mas que, do ponto de vista formal aponta para um retrato do imaginário coletivo e que ao mesmo tempo é também pessoal. Nós, que nos ata a nós, que define a nós, que nos fada nós, aos todos os ”Nós” que habita em cada eu.

- FRANCISCO ROSA


INEVITÁVEL

Singeleza e delicadeza imagética, em contraponto com a brutalidade e rusticidade matérica dialogam no campo compositivo dos trabalhos apresentados por Juliana Akina na exposição “INEVITÁVEL”, se observados do ponto de vista formal. As linhas curvas sugerem percursos, denunciam fronteiras, alinhavam linguagens. A reutilização de materiais como a madeira, agrega ao trabalho um valor temporal e de memória.

Subjetivamente, a sugestão para o público nessa mostra, é estreitar o olhar para as questões pessoais e intimistas da artista e através dele buscar suas relações, corelações e seus contrapontos. É buscar no universo do outro, particularidades em nós. Índices coletivos de uma poética particular.

- FRANCISCO ROSA


INQUIETUDES DE UM MUNDO EM MIM

Inflamado, quente, com ardor, pulsante, forte, rubro, rijo, sanguíneo, em brasa, incandescente, intenso, atrevido, invasivo, violador, denso e delicado. A complexidade poética de Hélio Moreira, nessa instalação, indicia uma pesquisa artística e um processo criativo onde a intertextualidade de linguagens é matéria prima.

Em “Inquietudes de Um Mundo em Mim”, a dramaticidade imagética e a diversidade matérica já fariam jus ao nome, no entanto, há que se atentar para questões que vão para muito além do formal. Há particularidades subjetivas e intrínsecas nesse trabalho, que sugerem um apuro no olhar, sobre o eu que nos habita com o eu que habita em nós.

A presença, pela ausência. O vazio, preenchido pelo espaço. Dialético e dialógico. Hélio Moreira, embaça as fronteiras de linguagens, mistura figura e fundo, tanto no pictórico, quanto no tridimensional e sugere uma fruição intimista, estreita, sugestiva e particular de suas inquietudes.

- FRANCISCO ROSA


INQUIETUDES

Agitação, desassossego, nervosismo, comsumição e a impermanencia de tudo. A profundidade dos desencantos se fazem vibrantes na sua poética e em seus matizes que pelo viés artístico se fez alento que com astúcia o amansa na pressa transtornada de sua própria história.

Impulsos compreensíveis e reconhecíveis na força do gesto apontam para os índices processuais de sua fatura. Nas mais profundas e desconhecidas questões pessoais e de memória do artista fábio benetti se originam os anseios explicitados em suas construções imagéticas.

Conflituoso na forma, na propulsão cromática e na complexidade matérica, benetti sugere ao observador buscar percursos visuais

- FRANCISCO ROSA


May Day

Socorro. É o grita a planta, o bicho, a água, o planeta... enquanto o homem, continua a sua saga predatória, consumista, inconsequente e exacerbada de suas atividades industriais como fonte de negócio e lucros. O assunto do artista Cranio em sua mostra: ”May Day”, além de estar em paralelo com sua principal produção imagética nos espaços públicos de grandes cidades do mundo, sugere uma discussão sociopolítica, cultural, antropológica e existencial humana.

O simbolismo nas suas figurações, ainda que se apresentem como primitivas, elas retratam situações cotidianas de existência contemporânea contida na sua própria obsolescência, afundada em seus resíduos, refém do próprio processo, embalada por papel moeda e disponível aos dispositivos.

Os indios azuis como identidade visual principal do artista, nessa mostra, sob um ponto de vista subjetivo, realizam uma colonização inversa e antagônica em relação à colonização histórica, eles invadem os espaços urbanos e com todo o poder de sua sabedoria ancestral, apontam, não catequizam, sugerem, não determinam e ao contrário do colonizador tradicional, não oprime, libertam...

- FRANCISCO ROSA


Menu Degustação

Experiência aprazível, de caráter sensorial, saborear, sentir o gosto.... Essa é a proposta aqui, ainda que não seja literal no sentido do paladar, a mostra:” Menu Degustação”, oferece ao público, a possibilidade de experimentar o devir dos artistas da Luis Maluf art Gallery para o ano de 2017, através da coletividade, da diversidade, do compartilhamento de poéticas, processos e subjetividades.

A parte pelo todo e todo em partes. Provar ou tomar o gosto de algo. Avaliar pelo paladar o sabor de. Sendo que, aqui, ao invés do palato, há que se exercitar a visão, no entanto, a experiência estética proposta, também é capaz de provocar sensações tão físicas quanto a do paladar.

Nessa paródia gastronômica, as cores, são temperos, a forma é a apresentação, o processo é cocção, a poética é o prato principal e o artista o chef. Da mesa farta da arte, o que oferecemos no nosso cardápio é sempre feito com muita dedicação e espero, para abranger os mais variados paladares. Assim sendo, seja bem-vindo e sirva-se a vontade.

- FRANCISCO ROSA


Mundaú

Mundaú, termo de origem tupi que significa "água de ladrão", através da junção dos termos mondá ("roubar") e 'y("água")

Com 600 quilômetros quadrados de superfície, a Lagoa Mundaú representa um dos maiores ecossistemas do Estado de Alagoas, além de importantes aspectos históricos, culturais, sociais e econômicos ela ostenta um cenário paradisíaco formado por nove ilhas, onde vivem pescadores, rendeiras e marisqueiros.

Com o olhar apurado e a expertise artística que detém o fotógrafo Roberto Fernandes, a Lagoa Mundaú se torna o tema,o motivo e o assunto para apontar questões de memória, de afeto, de engajamento sociopolítico, ecológico, antropológico e estético desse artista que literalmente bebeu na sua fonte, desde sua mais remota infância.

Nas imagens de Roberto Fernardes é possível entender a lagoa, como um espelho do céu ou um espelho pro céu. Um reflexo do firmamento ou reflexo pro o firmamento. Um portal para o infinito, um elo entre o planeta e o universo, entre o palpável e o etéreo, e essa dialética uníssona se personifica no click, na exatidão do registro de um momento que não há de se repetir. Memória apresentada para além da imagem, ainda que ela o seja, é muito mais que uma foto da paisagem. Fora o registro, a mensagem, que o artista rouba das águas de uma lagoa que não termina na margem.....

- FRANCISCO ROSA


Oroboros

Oura: (do grego)
Cauda.Boros: (do grego) Comer, devorar.

Em diversas culturas, essa expressão faz referência a criação do universo, comum para os egípcios, os druidas e indianos. Energia cíclica, na bíblia pode se referir a serpente do Éden. Utilizado como amuleto esotérico, na simbologia maçônica e teosófica e até em monumentos funerários, “Oroborsos” sugere o todo e o um.

Na poética artística de Flávio Rossi, o tema é levado com muito apuro para a intertextualidade de linguagens. Do ponto de vista formal, seu trabalho assume uma atmosfera pop, uma narrativa solta e não literal, com imagens carregadas de movimentos e organicidades e com uma identidade visual muito marcante e madura.

Com trânsito livre na subjetividade ele nos propõe através do seu trabalho, reflexões sobre as nossas próprias crenças e hábitos através de suas personagens anamórficas, de símbolos e signos personificados na caricatura humana. O questionamento de nossa existência e a impermanência das coisas em total harmonia com a racionalidade e a expansão mental, aqui, nos servem de veículo para transitar no universo pictórico, matérico, fantástico e divertido de Flávio Rossi.

- FRANCISCO ROSA


Preconceito

A não aceitação do outro em função de alguma diferença é o mais animalesco dos comportamentos humanos e seus desdobramentos são capazes de atingir o nível da barbárie.

O diferente, que pode nos parecer estranho, se tratado com empatia e/ou compaixão pode nos revelar nuances tão interessantes do outro e de nós mesmos que jamais conheceríamos sob a opitca do preconceito.

As interrelações acontecem numa seara muito fértl e cabe a nós, a escolha do que vamos semear nela. Sementes podres nunca frutificam. As opreções e injustiças acontecidas na história podem até expicar algumas das atrocidades acontecidas em decorrência do tema, mas não consegue justificar nenhuma delas. Então, antes de se ater a cor da pele, procure o brilho nos olhos, antes de saber o que se tem nos bolsos, se informe sobre o que se carrega no coração, antes do julgamento da fé alheia, estenda a sua mão e se o afeto do outro não for o que você compartilha, respeite. Afinal, não se pode perceber nenhuma dessas diferenças nas poças de sangue deixadas ao longo da nossa história pelo exercício do preconceito.

- FRANCISCO ROSA


QUARTA PAREDE

Oura: (do grego)
Cauda.Boros: (do grego) Comer, devorar.

Em diversas culturas, essa expressão faz referência a criação do universo, comum para os egípcios, os druidas e indianos. Energia cíclica, na bíblia pode se referir a serpente do Éden. Utilizado como amuleto esotérico, na simbologia maçônica e teosófica e até em monumentos funerários, “Oroborsos” sugere o todo e o um.

Na poética artística de Flávio Rossi, o tema é levado com muito apuro para a intertextualidade de linguagens. Do ponto de vista formal, seu trabalho assume uma atmosfera pop, uma narrativa solta e não literal, com imagens carregadas de movimentos e organicidades e com uma identidade visual muito marcante e madura.

Com trânsito livre na subjetividade ele nos propõe através do seu trabalho, reflexões sobre as nossas próprias crenças e hábitos através de suas personagens anamórficas, de símbolos e signos personificados na caricatura humana. O questionamento de nossa existência e a impermanência das coisas em total harmonia com a racionalidade e a expansão mental, aqui, nos servem de veículo para transitar no universo pictórico, matérico, fantástico e divertido de Flávio Rossi.

- FRANCISCO ROSA


Sinto, Logo Penso

A descoberta dos raios X, em 1895, foi o primeiro resultado de pesquisas científicas no campo da física e que teve uma grande repercussão no campo científico, bem como no da sociedade, onde ninguém imaginava que esse evento pudesse reverberar no campo das artes visuais, além de ter proporcionado um avanço significativo em outra ciência, a medicina, que imediatamente utilizou de seus resultados mais práticos para diagnósticos. Descobriu-se também, que o coração contém um sistema nervoso independente e bem desenvolvido com mais de 40 mil neurônios e uma completa e espessa rede de neurotransmissores, proteínas e células de apoio. O coração pode tomar decisões e passar à ação, independentemente do cérebro para aprender, recordar e, inclusive, perceber que existem alguns tipos de conexões que partem do coração e vão para a cabeça. O coração envia mais informação ao cérebro do que recebe, é o único órgão do corpo com essa propriedade e que pode inibir ou ativar determinadas partes do cérebro segundo as circunstâncias.

Há duas classes de variação da frequência cardíaca: uma é harmoniosa, de ondas amplas e regulares e toma essa forma quando a pessoa tem emoções e pensamentos positivos, elevados e generosos. A outra é desordenada, com ondas incoerentes e aparece com as emoções negativas. Sim, com o medo, a raiva ou a desconfiança, o coração incentiva a cabeça. A conclusão é que o amor do coração não é uma emoção, é um estado de consciência inteligente. O cérebro do coração ativa no cérebro da cabeça centros superiores de percepção, completamente novos e que interpretam a realidade sem se apoiar em experiências passadas. Este novo circuito não passa pelas velhas memórias, seu conhecimento é imediato, instantâneo e, por isso, tem uma percepção exata da realidade.

Está demonstrado que quando o ser humano utiliza o cérebro do coração, ele cria um estado de coerência biológica, tudo se harmoniza e funciona corretamente, é uma inteligência superior que se ativa através das emoções positivas. Devemos aprender a confiar na intuição e a reconhecer que a verdadeira origem de nossas reações emocionais não está no que ocorre no exterior, e sim no nosso interior. Cultive o silêncio, entre em contato com a natureza, viva períodos de solidão, medite, contemple, cuide de seu entorno vibratório, trabalhe em grupo, viva com simplicidade. E pergunte a seu coração quando não sabe o que fazer.

- FRANCISCO ROSA


Só de Tentar Esquecer Eu me Lembro

Talento, delicadeza e muita expertise, circundam as imagens feitas por Edu Cardoso. Seu trabalho é o casamento do ideal e do real. Nele, o artista, com sua retórica inflacionada e autorreferencial sugere ao público na mostra: “Só de Tentar Esquecer Eu Me Lembro”, uma busca por memórias pessoais através de suas mimeses que surgiram de um garimpo pautado na singeleza e na simplicidade imagética, onde o detalhe é a diferença.

Em diálogo aberto com o observador, a sua comunicação se torna múltipla e seus elementos compositivos, podem parecer óbvios num primeiro momento, com a fruição mais apurada, eles se revelam numa hermenêutica cheia de camadas e sobreposições que abrem uma gigantesca gama de possibilidades de leitura.

A memória cria a arte, e a arte cria a memória. Com essa ideia podemos nos situar nessa mostra que aponta para onde ainda se pode habitar a alma humana sem filtro, sem interfaces, sem pirotecnia artística mediada ou midiada. Não podemos deixar de nos colocar uma pergunta: Qual o lugar da natural memória humana no tempo do arquivo artificial e do armazenamento de dados no mundo digital? Adquirir conhecimento sempre esteve relacionado em memorizá-lo. Na contramão dos dados digitais, Edu Cardoso convida à experiência do tempo. Todos nós estamos submetidos intrinsecamente a paixão de lembrar, mesmo quando talvez fosse melhor esquecer e esse fenômeno só existe porque há sempre algo como uma verdade a se buscar.

- FRANCISCO ROSA


UM RISCO

Estilo e gesto, urbanidade e vivência, retórica e territorialidade. Do o paleolítico, até os dias atuais, podemos transitar pela história da humanidade por meio dos registros de imagens deixadas no mundo. A comunicação imagética está intrínseca ao homem. Na sua história, através dos milênios, ele registra de uma forma ou de outra o seu percurso no tempo e uma dessas formas, contextualmente atualizada é a PICHAÇÂO.

Grafia escrita, inscrita. Comunicação e expressão. A palavra em diálogo. Vozes urbanas em registro e índices. Marcas de apropriação, sinalização de não lugares. Vocabulário da resistência que transita livre dos becos e vielas às ruas mais requintadas, da maior metrópole ao menor dos distritos é a imagem/escrita o mais usado dos meios cognitivos, de registro histórico-cultural, sócio-político e étnico-religioso

A pichação é sugerida aqui, como um movimento que embaça as linhas fronteiristas num contexto de inter/trans/multilinguagem. Nessa mostra, que nega o pensamento repressor do poder e assume o poder libertário da arte, a exposição "UM RISCO", transgride, desloca, sinaliza e se apropria para dialogar no campo do pertencimento onde as fronteiras se prestam a delimitar e não separar.

- FRANCISCO ROSA


Zoo Urbano

Acerca da valorização dos animais-não-humanos, do respeito às vidas, da coexistência e da arte como dispositivo, que o Zoo Urbano atua para apontar questões existenciais, sustentáveis, ecológicas, sociais, políticas e éticas sobre a causa animal. Através de esculturas e instalações, feitas de materiais diversos, reaproveitados e resignificados, os artistas apresentam trabalhos que indiciam uma cultura de consumo exacerbado, a produção de resíduos e suas implicações no planeta. Os animais em extinção, interpretados artisticamente, sinalizam para uma perda eminente e para as perdas irreversíveis de tantas outras espécies.

A vaidade e egocentrismo do homem são cegos e nos anestesiam diante da crueldade exercida sobre os animais-não-humanos. Isso impede que tenhamos empatia e tiramos suas vidas, só pela beleza de suas penas ou de suas peles. Os mutilamos por suas barbatanas, seus chifres, seus órgãos. E, esquecemos que eles também sofrem, sentem dor e sagram. Essas partes não valem pelo todo.

Se a arte não salva, ela sinaliza. Se não protege, ela denuncia. Se não resolve, ela questiona. A arte é comunicação e o artista, uma antena de seu próprio tempo, que recebe as informações do mundo e as transmite em conceitos, imagens, pensamentos e experiências estéticas. A proposta do Zoo Urbano, é que, pelo viés artístico, nos antenemos para responsabilidades, compromissos e culpabilidades que nos cabem pelas vidas dos animais-não-humanos.

- FRANCISCO ROSA


Zoo Urbano - Vida Marinha

Quão lindo é o mar! No seu infinito de azul está o espelho do céu. Nos seus 71% de ocupação do planeta tantas vidas e tantos ecossistemas, que ainda nem fazemos ideia de que existem. O seu balanço fascina, encanta, deslumbra. São tantas nuances, tantos matizes e tantos tons que se apresentam num cotidiano pôr do sol de seu horizonte, que nenhum mestre impressionista foi capaz de fazê-lo. No entanto, essa contemplação, só acaba no raso. Num pequeno mergulho, é possível perceber que, tão imenso como mar e as suas inspirações poéticas, é o problema, social, existencial e ecológico em que ele está imerso. O maior depósito de lixo do mundo não se localiza em terra firme. Está no Oceano Pacífico. Seu tamanho já se aproxima de 680 mil quilômetros quadrados, o equivalente aos territórios de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo somados e não pára de crescer. E isso, é só um exemplo.

Acredita-se que 90% do lixo flutuante nos oceanos é composto de plástico – um índice compreensível, já que esse material é um dos que levam mais tempo para se decompor na natureza. No Mar Mediterrâneo, considerado o mais poluído do planeta, cada quilômetro quadrado contém cerca de duas mil peças de plástico flutuante. Esses detritos têm efeito trágico sobre a vida animal. De acordo com a ONU, os entulhos plásticos são responsáveis anualmente pela morte de mais de um milhão de pássaros e de cem mil mamíferos marinhos, como baleias, focas, leões-marinhos e tartarugas. As aves marinhas confundem objetos como escovas de dente, isqueiros e seringas com alimento, e diversos deles são encontrados nos corpos de animais mortos. Além disso, centenas de milhões de minúsculas bolinhas de plástico, a matéria-prima dessa indústria acabam por chegar ao mar. Esses poluentes atuam como esponjas, absorvem substâncias químicas produzidas pelo homem, como hidrocarbonetos ou o pesticida DDT. O passo seguinte é eles entrarem na cadeia alimentar e que vem parar no nosso prato.

No Zoo Urbano Vida Marinha, o intuito é substituir o plástico, pela plástica. Sugerir através da arte, responsabilidades comuns, apontar para relação predatória e degradante que sempre mantivemos com os oceanos. Questionar a uma existência futura, criar fluxos de pensamentos que convirjam para a consciência ecológica, para a redução resíduos, para a preservação das espécies, para a coexistência da vida, para a valorização do MAR, do AMAR, e do TAMAR.....

- FRANCISCO ROSA


Zoo Urbano - Animais em Extinção

Existem razões muito relevantes para nos responsabilizarmos e nos preocuparmos com a vida dos animais-não-humanos. Eles, que como nós, também sofrem, também sentem dor e que também têm o direito à vida e/ou, no mínimo, uma morte digna, respeitosa, de preferência de forma natural e não de forma abrupta, simplesmente como objeto de: “diversão, esporte, adorno, comércio e/ou simplesmente pela falta de respeito, responsabilidade e compaixão...”

Existem razões muito relevantes para que tenhamos uma visão panóptica acerca da relação que sempre mantivemos com os animais-não-humanos ao longo da nossa história. Uma relação predatória, abusiva e perversa que contraria até a premissa de que “só os mais adaptados sobrevivem”. Muitas espécies, ainda que, super adaptadas, foram e continuam sendo exterminadas, extintas do planeta. Submetidas às intervenções humanas, muitas já não existem mais, e outras, estão prestes a deixarem de existir. Por mais adaptadas que sejam, ou foram, não resistem à ação do homem.

Existem razões muito relevantes para o Zoo Urbano, ”Animais em Extinção”. Ele não pretende resolver ou solucionar essas questões, mas, sugerir, propor, questionar e discutir pelo viés artístico, as possibilidades de convivência e da coexistência com os animais-não-humanos, de forma mais simbiótica ao invés de predatória. Não são os animais que invadem as cidades, as cidades que invadem as florestas. Voltar o olhar para a reutilização, a ressignificação, a diminuição de resíduos, o desmatamento, o uso, o consumo, a indústria e o mercado, com compaixão, empatia e respeito às vidas.

Quando das mãos do artista se faz revelar a forma, não são apenas objetos de arte colocados no mundo, são fluxos de pensamento que se fazem materializar. Portanto, pensemos. Existem razões muito relevantes!

- FRANCISCO ROSA




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